Mark R. Klober foi um dos melhores escritores que já existiu. Sua curta vida de excessos lhe renderia um título que hoje é concedido erroneamente à Rimbaud. Porém ele era realmente filho da puta quando se excedia, por isso, ninguém lembra de sua rápida e tumultuosa contribuição para as letras.
Morreu aos 17 anos, de sífilis. Desde os 12 escrevia. Escrevia prosa, uma prosa rápida, ferina, cheia de ataques aos que julgava "um bando de vorazes vermes roliços e buliçosos, com cabeças de pênis onde deveriam por os chapéus, eternamente limpando as bocas nas vulvas escancaradas do povo". Assim Klober definia e desafiava a aristocracia inglesa do final do século XIX, essa mesma aristocracia que não daria bola para o que dizia um sátiro bêbado, viciado em ópio. Por esse motivo pode completar o ciclo de sua decadência sem problemas sérios com as autoridades, morrendo inteiramente isolado em um prédio abandonado. O corpo foi encontrado 4 meses mais tarde. Os registros policiais da época atestam que ninguém sentiu sua falta, uma vez que não havia qualquer menção à seu desaparecimento.
Em 5 anos de dedicação à literatura, Mark R. Klober escreveu 3 novelas e 45 contos. Seu forte eram os contos, que não tinham qualquer apelo popular e escandalizavam a crítica da época. Seus escritos só foram publicados por uma editora clandestina e mediante o pagamento de quantia 6 vezes superior à usual. Mark R. Klober não tinha posses, nem herança. A origem do montante empregado em suas edições é nebulosa, mas acredita-se que o dinheiro seria proveniente de diversos assaltos ocorridos na época, posteriormente atribuidos ao próprio Klober. Essa hipótese é tão aceita quanto a de que o dinheiro teria sido acumulado de suas vitórias no jogo ou como presente de seus inúmeros amantes. Mas quem conhecia Klober sabia de sua incapacidade para gerenciar economias, gastava tudo com bebida, ópio e a roleta. E sua constituição frágil não lhe permitiria as habilidades requeridas para ser um assaltante. Portanto a origem de suas economias permanece um mistério.
Inversamente proporcional à sua decadência foi a ascenção de sua pena. Sua escrita melhorou muito desde seu primeiro conto "As bundas parisienses", escrito quando tinha 12 anos. Dos 13 aos 15, passou por uma fase em que a pornografia escatológica dominou seus trabalhos, sendo dessa fase seu primeiro romance "O cu do vigário" e 18 de seus 45 contos, sendo os mais representativos: "Bocetas enlameadas", "A rola de pedra" e "Mefistófoles encontra Sarah Bernhardt" que escandalizou toda a sociedade na época com as descrições da cópula de uma brilhante atriz com o diabo, em troca da voz perfeita.
Este conto foi sua maior tiragem, tendo mais de 50.000 exemplares circulando quase gratuitamente por toda a inglaterra. Também marca a mudança de fase da pena de Klober, que passa a destilar uma pornografia satírica, atacando praticamente todas as figuras políticas da época. Seu segundo romance "Os banquetes da rainha" foi proibido em toda a inglaterra e a 1ª edição queimada em praça pública. O livro descrevia uma cena em que o 1º ministro e três lordes, penetravam a rainha ao mesmo tempo enquanto cantavam o hino nacional. Seus principais contos dessa época foram: O mistério da guarda real", "De ingleses e espanhóis" e o seu maior conto: "A glande pátria*", onde descreve os costumes britânicos comparando com posições sexuais.
Já com 17 anos pública seu último romance, que parece no título antecipar sua morte eminente: "Adeus velha putaria" relatando como um velho pervertido abandona seus hábitos quando o corpo enfraquece e como sua alma também o abandona.
Klober foi, sem dúvida, um representante da vanguarda literária inglesa. Seus contos são muitas vezes comparados aos libertinos franceses do século XVIII. Entretanto, sua escrita superava estes por ser quase simbolista e as vezes minimalista. Suas descrições de coitos com vegetais na primeira etapa de sua prosa, beiram o realismo fantástico, corrente literária do século XX pós-modernista. Suas adaptações de fábulas infantis e os diálogos entre seus personagens também marcariam de forma definitiva toda a literatura erótica a partir de então, não fosse o destino ao ostracismo que teve este brilhante escritor.
* O título original é: The sperm country. Uma clara alusão ao "The soberb country" Livro do naturalista Joseph Spader, seu contemporâneo.

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