Sempre que eu passava pelo bosque, observava aquele belo carvalho, encantador, com seu tronco forte e seus poderosos galhos. Ficava admirando a saliência de um galho, na altura da minha cintura que não tinha intenção de ser galho, mas de imitar uma genitalia masculina ereta. Aquilo me excitava. Como foi um carvalho imitar um homem a ponto de parecer ainda mais viril que qualquer um? Nunca contei à ninguém sobre o meu carvalho. Diriam que Amelie está ficando doida, mas a verdade é que quase todas as noites eu saia para ver meu amado… e seu pênis vegetal. Entreguei minha castidade àquele galho assombroso, e tive certeza de que fui sua melhor amante.
Estudei botânica, tentando entender melhor meu amado. Graças aos meus conhecimentos evitei que uma praga o matasse. Como retribuição, fodeu-me como nunca antes, seu galho havia crescido, provocando em mim um prazer indescritível!!
Meu carvalho está virando homem, seu tronco se divide na base formando pernas, dois galhos formam os braços que afagam meus seios com suas folhas. Eu estou me tornando árvore. Já folhas começam a brotar de meus cabelos e preciso andar de pés descalços para me alimentar da vitalidade da terra.
Outro dia me acordei com raízes e foi necessário muito esforço para remover meus pés do chão, na primavera meu cabelo florece e fica amarelo. No outono minhas folhas e flores caem.
Há duas semanas durmo ao lado de meu carvalho. Já estou presa ao chão. Minha irmã me traz comida enquanto não me transformo totalmente. minha mãe me diz que sempre farão picniques à minha sombra, e que comerão dos meus frutos na primavera…
KLOBER, Mark R. A árvore. In: O nu e o invisível: contos selecionados de Marc Klober. São Paulo: Literatta, 1978, 408 p.

Quando li esse conto pela primeira vez, com 12 anos, decidi o rumo que tomaria em minha vida.
Klober é genial!
Mas… preciso fazer alguns comentários sobre esse post particularmente contigo.
e depois sou eu a hippie!!
olha que coisa mais sergei isso! não tem vergonha na cara?? ahahahahahahh
beijo!