Temo que as plantas que vivem lá fora tenham aniquilado minha irmã. há dois dias ela não aparece em casa e a última vez que à vi foi naquela noite da orgia.
As árvores, ao sabor dos ventos arrancaram-lhe o vestido e penetraram-lhe a intimidade com violência. Ela parecia alucinada. Parecia sentir muita dor. Entretanto quando os galhos afrouxaram e a soltaram, não fugiu, limitou-se a cair de quatro no chão e empinar a bunda, que logo foi açoitada pelos galhos de um choupo velho.
Seus gritos poderiam ser tidos como de desespero, não fosse o fato de que não havia obstáculos para que fugisse. Pensei então ser a fúria dos vegetais que a amedrontava e por isso não tinha como fugir dali.
Então os galhos lhe afagavam e percorriam seu corpo, penetravam seu sexo, sopravam brisas em seus ouvidos e ela respondia como se os gemidos do vento fossem inteligíveis, uma língua antiga, lânguida e gelada, uma forma sobrenatural de linguagem à qual agora tinha acesso.
Que coisas lhe foram sopradas nunca saberei. Deixei a janela naquela noite, apavorado quando suas pernas começaram a criar raízes.
Como disse, nunca mais vi minha irmã. Há agora, junto aos choupos uma árvore nova, de folhas vermelhas, que dá flores amarelas na primavera. Quando o vento bate em suas folhas o sussurro é ligeiramente feminino.
Mark R. Klober

Acho que já vi isso num filme…mais ou menos assim…