É, as pessoas são realmente estranhas, em qualquer dimensão que se observe, é impossível entendê-las.
Com “entender” eu não quero apenas identificar os motivos imediatos do comportamento de grupos ou de indivíduos. Repare bem, você pode estabelecer relações entre uma atitude ou postura e uma causa qualquer, mas não pode dizer porque essas coisas acontecem.
No âmago de todo o produto humano está uma força que não pode ser racionalizada, que não permite ser compreendida com nossas parcas ferramentas de observação.
Você pode dizer que a política internacional contra a fome na África tem um porquê bem claro, acabar com a fome na África. Mas porque há fome na África? Sim, é possível apresentar um enorme relatório com todas as possíveis causas da fome na África, naturais ou provocadas por intervenção humana, mas, olhe bem de perto essas causas, elas fazem sentido?
Toda explicação necessita de explicação, e no fundo, nenhuma explicação faz sentido. O que está na origem da fome na África é algo irracional e humano, algo impossível de entender.
Em nível individual não somos menos contraditórios, nossos desejos e necessidades (desejos são necessidades) são sempre muito distantes de tudo o que é lógico.
Acho que essa nossa ferramenta preferida para compreender o mundo e possibilitar a comunicação acaba nos dando uma impressão errada e fomentando uma ilusão que pode estar na raiz da insatisfação: a de que as coisas fazem sentido.
Não, não fazem. um pedaço de madeira segue sendo um pedaço de madeira, mesmo que tenha, através da ação racional, adquirido o formato de uma cadeira. Nós é que atribuímos sentido para as coisas e quando morremos elas continuam e não fazem mais sentido algum.

Profundo, profundo…