Noite, o apartamento na desordem habitual, mimetismo quase fiel do meu estado interno. No computador a frase “to be continued…” anuncia o final de um episódio do seriado. Enquanto o crystal player fecha, eu espero a sensação de solidão me dominar…
Surpresa! Dessa vez não me sinto angustiado. Estou sozinho, realmente e irremediavelmente sozinho, mas não acho isso ruim. Não dessa vez.
Hoje a minha cama bagunçada, as sacolas de lixo na cozinha esperando há semanas por alguém que as carregue por 2 lances de escada, a pilha de roupas no sofá, as carteiras vazias de cigarro pelo chão, nada disso me incomoda, nada disso me faz sentir só.
Parece que finalmente eu me basto. Não preciso mais de uma personalidade paralela para não ter que conviver com minha inconformidade comigo mesmo. Eu me aceito.
Não deixo de desgostar de centenas de coisas em mim, mas parece que consigo agora de uma certa forma isolar essas coisas e analisá-las como um observador externo. Não resolvi meus problemas, mas de alguma maneira eles não me incomodam mais.
Sei que essa sensação plena vai desaparecer, é um estado, não uma condição perene, mas também sinto que algo disso vai me acompanhar a partir de agora e que será uma boa companhia.

*feliz, feliz, feliz*
Ufa, que bom então!!! Pelo menos momentaneamente…
“…conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto…”