A música é criada pelas notas dos perfumes e da textura, de vozes embargadas, de pernas tremendo, olhos semi-cerrados, notas de luxúria pura, de gostos, de fusão.
A melodia é improviso, é bela, é forte, é quente. É como prisão e liberdade. Cativeiro voluntário. Cativeiro de sonhos e promessas, escondidas em curvas perfeitas. Em mechas de cabelo, enganando e misturando os sentidos, o cheiro da cor, o toque da voz, a sinestesia total.
Não há raciocínio possível, a única consciência é a da noite e dos sentidos, o único fluxo permitido é o prazer das sensações.
Por trás dos cabelos um sorriso, repleto de significados, mais significados do que palavras disponíveis para descrever. É jazz convoluto e primitivo, é a densa névoa que encobre a razão. É bruxaria, ofício de eras ancestrais.
É algo que nem mesmo a chuva insistente nem os dias doentes de hoje vão conseguir apagar de mim.
