A vontade de tomar banho de chuva é na realidade uma ânsia de se incorporar às gotas. O movimento da chuva é tão resoluto, sem barreiras. A água sempre encontra uma forma de atingir a terra, de ser absorvida. Não adianta lutar contra a chuva, ela não respeita as vontades humanas, ela dita as regras e nós temos que nos adaptar.
O banho de chuva é uma esperança de aprender com a chuva o que impulsiona as gotas a atingirem o seu alvo. É uma forma de descarregar a alma da impotência do universo humano.
A chuva não tem medo, não tem receios, não pensa duas vezes, apenas cai. Não tem inseguranças.
Tomo banho de chuva quando estou desesperado, quero apenas seguir a correnteza que empurra a água para os bueiros. Quero que meu grito seja abafado pelo gotejar intenso sobre os telhados. Quero que meu corpo se torne líquido, e que minha trajetória seja inabalável.
