É uma sensação estranha, sinto que preciso dela mas não queria sentir. Acho que é melhor para a minha maturidade, um tipo de sofrimento com o qual eu não estou acostumado.
Estou até bastante surpreso de não querer um útero dessa vez. Acho que desenvolvi um modelo adulto para isso da última vez que aconteceu, então não preciso mais buscar referencial na infância.
Mas que tremeu o beiço, tremeu! Que deu taquicardia e frio na barriga, deu sim! Que bom, já estava ficando com saudades desse tipo de sofrimento. Sempre me sinto vivo e quente com sofrimentos mexicanos.
Outra coisa boa foi a imagem que vai prevalecer na minha mente. Não precisarei quebrar a ilusão, que confesso, é fantástica, mas bem frágil.
Aprendi também alguma coisa sobre minhas ilusões. Elas se refinaram, bastante. Não são mais como bonecas de gesso sem movimento. São entidades que se aproximam fantasticamente da realidade. Eu poderia dizer até que são compostas de facetas selecionadas da realidade, não são ilusões, são hipérboles de qualidades. Exagero é a palavra, ele só deixa de existir quando a luz incide sobre todos os ângulos de um objeto.
Como não terei isso, ficará o gosto do mistério, a curiosidade insatisfeita de ir mais fundo, de conhecer. Toda a química e toda a mitologia serão preservadas.
No fundo eu gosto que seja assim. E de uma certa forma essas sensações todas me servem de combustível. Me colocam de volta em rumos que eu havia deixado, me dão tenacidade de atingir objetivos.
E mais, me fazem perceber o que em mim eu quero mudar.

adorei…as hipérboles de qualidades…talvez faça sentido….