Desirée Marantes - Zombieoper - Efeitos do alcool
Fevereiro 19, 2008 de The Derbi
Foi no extinto Cave, anos atrás, que eu conheci ela, trocamos um oi ou algo do gênero. Sabia dela só de nome e de histórias. Na verdade eu não esperava muito (nunca espero muito do rock portoalegrense e eu sei que é preconceito!). Era show de uma banda da qual eu respeito alguns músicos, mas não gosto nem um pouco. Ela tocaria violino. Foi lindo! As músicas deles até ficaram passáveis com aquele violino nervoso.
Depois vi um show da banda dela, a Monodia e adorei! Dali em diante eu iria prestar mais atenção no nome Desirée Marantes. Mas não tive mais notícias dela, por um bom tempo.
Eis então que teve a terceira Pecha Kucha no Ox/Ocidente. A primeira eu quase morri, inovador, sinestésico, altamente promissor! O pessoal dos coletivos apavorando com a arte urbana em forma cúbica: acertando os olhos, os ouvidos e o cérebro. A segunda, uma decepção quase completa, gente que não entendeu o conceito, sub-utilizando as possibilidades do formato. A terceira eu decidi fazer um melhor de 3 pra ver se eu iria na quarta. Começou bem fraquinha, powerpoint com musiquinha. Daí subiram a Desirée e o Diego Medina.
Foderam com meus miolos!! literalmente!! Sentaram no palco e brincaram com pedais nas vozes, abusaram dos efeitos, agrediram meus ouvidos num volume extremo e proposital. Microfonia e vozes bagunçadas, gemidos e no telão cenas de pornografia antiga, vintage, 50, 60, 70. Trechos de clássicos, sujeira, depravação. Aquilo e aquele som, vindo de duas crianças brincando com seus brinquedos barulhentos, foi perturbador!!! Vou ir na quarta Pecha Kucha!
Depois disso não soube mais da Desirée, agora uma artista que eu admirava muito. Até que encontrei ela naquela noite no porão do beco… Azar o dela, eu estava bêbado. Só não disse que ela era minha faixa e morava no meu peito, mas fiz toda a rasgação de seda típica. Mesmo assim ela foi super gente fina e me aturou! Até me deu um adesivo da Zombieoper, projeto dela e do Diego. Opa, Zombieoper? Eu ouvi algo sobre isso na última pecha kucha! Como sempre, a nota mental de procurar o site depois foi diluída pelas muitas camadas de cerveja que vieram na sequência. Mas agora eu tinha um adesivo no bolso!!
No dia seguinte, acordo com uma ressaca violenta, parece que tem um tijolo boiando na água dentro da minha cabeça, aos poucos as memórias da noite anterior começam a aparecer, e eu começo a pensar em me algemar em casa para não oferecer riscos à sociedade. Lentamente tudo volta em fragmentos, conforme eu confiro as minhas roupas e as fotos que eu bati. No bolso da camisa, o adesivo!! (todo amassado, que droga). Corro pro pc e abro a página, jogo a url no del.icio.us, penduro o adesivo amassado no mural e volto a dormir.
Acordo de verdade, muitas horas depois, atrasado. Passo os olhos no mural e vejo o adesivo. Deixo o disco baixando enquanto tomo banho, mando pro mp4 enquanto escovo os dentes, ligo o aparelho enquanto tranco a porta.
Eu tinha várias expectativas sobre esse trabalho. Uma delas, positiva, era ser fruto de uma parceria entre duas das mentes mais criativas da música de Porto Alegre. Outra, que me incomodava bastante, era a ambição do projeto: Uma ópera! Com libreto e tudo! Hum, será que eles conseguiriam fazer algo consistente? Há uma diferença entre fazer um disco com 12, 13 faixas de 3 a 5 minutos cada, trabalhadas individualmente, cada uma um universo fechado, no máximo na sequência planejada e fazer uma ópera!! As músicas teriam que existir sozinhas e fazer parte de algo maior, elas deveriam contar uma história e meu deus! o pior defeito da maioria das bandas é a falta de criatividade nas letras!! E o instrumental? o rock já segurou óperas com sua formação tradicional, mas isso era com o The Who e talvez o Zen Arcade do Husker Dü seja uma releitura interessante de Tommy, mas será que dois músicos portoalegrenses conseguiriam fazer algo realmente bom no formato? não era pretensão demais?
Primeiro tapa na cara: Quem disse que precisa da formação tradicional? Zombieoper não tem nada de tradicional, a não ser, talvez, o ritmo de ópera e a história épica. Talvez o mais perto disso seja o disco Yoshimi Battles the Pink Robot, do Flaming Lips. Algumas faixas até lembram de canto o Flaming Lips, mas, pessoalmente, prefiro Zombieoper. Os instrumentos são diversos e alguns bem inusitados, como gansos (sim, gansos, aquelas aves) e serrotes. Muitos estilos musicais misturados, mas o que se destaca é o experimentalismo da dupla, com muitos pedais, sonoridades diversas, mudanças bruscas de ambiente e muita cratividade. Chega a me lembrar alguns discos do Zappa nesse sentido (pronto, tô falando besteira, mas eu acho pô!).
Segundo tapa na cara: As letras são excelentes. Muito nonsense localizado e uma trama bem costuradinha, totalmente épica, inspirada em filmes de zumbi. Divertidíssima. Zombieoper é totalmente cosmopolita, ainda bem!! Nada de bairrismo, nem nas letras, nem nas vozes. Nada de clichês e piadas internas incompreensíveis.
O site é um encarte virtual lindíssimo, com as letras em forma de libreto, fotos, videos, e, é claro, os discos pra baixar.
Espero que essa dupla ainda faça muitas coisas juntos!! E espero não estar tão bêbado da próxima vez que topar a Desirée por aí (e também espero ganhar um adesivo novo, que eu não vou amassar dessa vez!).

Bah, que legal!
Acho que tu é uma das poucas pessoas que escutou a ZO inteira.
E cá entre nós, acho que eu tava mais bebada que tu naquele dia, hahahahah
Mais do que eu?? Capaz!!! hahahhahahaha então tá limpo!!
valeeeeeeeuuuuuuuuuuu!!!
grande abraço!