E aqui estamos mais uma vez rasgando a noite, sem pudores, sem valores. Qual a finalidade disso? Qual o resultado disso? Quando isso acaba?
Não temos resposta, nem para essas, nem para nenhuma outra pergunta. Só temos impulsos. Contrários a qualquer recomendação de bom senso, simplesmente seguimos noite adentro, por becos escuros e cantos inabitáveis, intransitáveis. Preferimos esses lugares, são mais acolhedores.
Sabemos qual vida deveríamos ter e por quais ruas deveríamos andar, mas há algo que nos impele, algo que nos conduz ao medonho, ao obsceno, ao imoral.
De alguma forma irracional também sabemos que isso é natural e incontrolável. Que executamos um papel importante. Tão importante quanto as profissões mais respeitáveis: somos tão necessários quanto médicos e padres.
Executamos um algoritmo de contenção da espécie, de autodestruição, tão importante quanto o da sobrevivência. Somos os mais capazes, os únicos que podem fazê-lo.
Somos a escória, assassinos, ladrões, advogados. Somos pivetes drogados, entorpecidos pelo crack, prostitutas transmitindo doenças venéreas, bêbados que batem nas esposas, psicopatas, esquizofrênicos, suicidas. Somos ditadores do oriente médio e skinheads, arruaceiros agitadores e senadores corruptos. Somos aqueles que afundam, em declínio direto, em queda livre. E levamos o que podemos, convertemos mais que as religiões.
Temos trabalhado muito, muito mesmo para consertar os erros da espécie, para conter o desastre eminente. Somos acionados em momentos críticos, quando a humanidade sai da linha.
Se a espécie sobreviver a sí mesma, seremos os salvadores…
E não receberemos nenhum crédito por isso.

Cara,
praticamente um Henry Miller… Não, não a crucificação encarnada, nem os ‘tristes trópicos’, tampouco o tempo dos assassínos, mas algo de primavera negra:
“Tão violentamente fui tragado para o vértice que quando voltei à superfície não pude reconhecer o mundo: o show terminara, a música cessara e eu estava liquidado.”
Lembre-se de que a forma aparentada da desumanidade (e vício-verso reverso) nos faz todos farinhas do mesmo saco (cheio).
Abraço de irmão.
hum… meu comentário feliz será irritante.
então…
expressarei a satisfação de ver novos posts por aqui.
era pra ser “: )”, e não essa coisa amarela e meio alien aí.
tentativa 2:
expressarei a satisfação de ver novos posts por aqui.
\o/\o/\o/