Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \29\UTC 2006

As vezes acontece, a gente aprende mesmo. O normal é descobrir o sentido da vida em uma esquina e perceber o erro e o absurdo da coisa toda na próxima. Mas às vezes algumas lições ficam. Daí a gente se olha no espelho vê algo diferente, uma faceta nova de si próprio alí te encarando. É quase como uma morte, como se outro aspecto teu assumisse dali em diante (sim, sandman é foda mesmo).

É um tipo de perda da inocência, um cair a ficha sem retorno. Peceber que Papai Noel não existe ou que Deus é um algorítmo ou qualquer coisa assim, só que mais real, mais próxima. Um súbito entender como uma coisa funciona e perceber que não, não tem jeito de algo bom acontecer. Daí tu te toca do que tem que fazer e vê que é simples. Talvez tu não faça, mas já sabe o que é e isso não vai mais te inquietar. O importante é ter o domínio de novo.

Read Full Post »

Agregação

Estou desagregado. Talvez seja o efeito de Sandman, afinal, meu perpétuo favorito sempre foi Delirium, da mesma forma que eu sempre quiz ser Destruição.

Idéias flutuam sem destino certo, flutuam por flutuar. Não desenvolvo nada. Me preocupo com tudo, mas não tomo nenhuma atitude. Queria dormir, dormir muito.

Qual é o motivo para isso? não sei.. Não faço a menor idéia. só percebo que a minha vontade não parece ser mais minha e que por mais que eu esteja gritando “vai” meu corpo não responde.

Só atendo à idéias, por vagos instantes. Elas correm líquidas por meu material, vão rápidas e em muitas cores. Me concentro em uma as vezes. Repito ela incansavelmente até que outra venha.

Meus movimentos correspondem à um pequeno repertório, sem muitas variações. Ando com certo pavor de mudanças.

Reajo bem no meio delas, elas me fazem bem, mas reconstruções são sempre muito dolorosas em sentidos mais profundos.

Espero que as pessoas me entendam. Que eu estou assim mas não sou assim. Se elas não entenderem, paciência, só vai ser mais difícil vencer essa sensação. Juntar meus caquinhos todos e recompor o mosaico talvez não seja fácil, mas eu não me importo com dificuldades e distâncias, minha letargia me preserva das proporções, das comparações…

Read Full Post »

Rótulos

A gente sempre cria uma certa previsibilidade e as pessoas só enxergam a ponta do iceberg. Todo o julgamento observa apenas o comportamento final, o resultado visível dos fatores internos. O que leva até aquela forma peculiar de agir é algo que nunca é abordado, que nunca interessa. Não é relevante saber se uma pessoa tem motivos para agir de determinada forma, basta saber que aquela forma de agir não se enquadra nos padrões esperados e então somos rotulados fracassos ou sucessos. Não vale a pena citar toda a hierarquia de rótulos que uma pessoa pode receber, basta dizer que eles nunca correspondem à realidade do que ela é, nem do estado em que ela está.

Não é fácil fugir dessa tendência classificatória. A pior coisa para um humano é ficar sem entender o que está acontecendo à sua volta. A não compreensão de qualquer coisa é uma angustia que chega às raias da dor física. Por esse motivo, quando o objeto demanda muito esforço para ser compreendido e quando o valor subjetivo relacionado a ele não é muito grande, prefirimos pôr uma placa que o identifique com algum dos nossos parcos e ilusórios modelos de justificativa e concentrar nossa preocupação em entender o que realmente importa.

É um comportamento humano comum, uma forma de filtro, já que nossas limitações não permitem compreender a realidade inteira. Também é uma forma de identificar quem ou o que realmente interessa às pessoas e assim avaliar se vale à pena também se interessar por elas.

Read Full Post »