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Archive for julho \22\UTC 2007

O Lobo Bonito

Era uma vez o mundo das coisas bonitas…

Lá existia um lobo muito bonito, ele morava em um lugar lindo do mundo das coisas bonitas. Ele tinha muitos amiguinhos bonitos que não eram igual ele. Ele e seus amigos acharam uma coisa bonita e procuraram o dono dela que era um duende.

O duende tinha uma amiga muito bonita que era uma fada, a amiga dele tinha um quadro muito bonito, e eles foram se aventurar e acharam uma coisa esquisita que era uma aranha mas só que era uma aranha muito bonita, era uma aranha boazinha.

A aranha tinha dois amigos que se chamavam Laura e Léo. Eles adoravam ir ao circo que era cheio de palhaços. Aquelas crianças conheciam um lugar que tinha uma casa sem telhado e com chaminé, era uma casa muito bonita.

A casa era viva e conhecia outra casa, as duas eram amigas, naquela casa morava duas pessoas que gostavam de biscoitos redondos e de biscoitos na forma de peixe e eles conheciam duas pessoas que gostavam de sacolas e bolsas e que conheciam uma pessoa que era amiga deles.

Ela estava trocando de roupa e tinha um bebê, ela terminou de trocar de roupa e levou seu bebê na casa de uma amiga dela que tinha outro bebê, na saída da casa da amiga ela encontrou o lobo e ficou com medo, mas o lobo sabia falar a língua dela e disse que não queria machucar ninguém, só queria fazer amigos.

O lobo mostrou uma porta secreta na casa dela que tinha um monte de quadros, ela achou os quadros muito bonitos, mas só que tinha um quadro que era o mais bonito de todos, que era um quadro de um menino, uma menina e um cachorro.

Bem na hora que eles iam sair da porta secreta, um ladrão que estava escondido, roubou o dinheiro que ela tinha, que eles iam fazer um lanche na rua. Mas, só que dai, o lobo conhecia um lugar que eles davam lanche de graça.

E daí, depois de ter feito o lanche , eles foram pra casa dela de novo e quando eles chegaram não tinha mais nada, por que o ladrão havia roubado tudo na casa. Dentro da casa estava tudo em branco, até o quadro preferido não estava mais lá, por que ele ficou invisível e se escondeu do ladrão, mas só que o ladrão perdeu todas as coisas no caminho pra casa dele.

Eles saíram de casa e acharam as coisas e voltaram pra casa, e depois disso, o lobo foi pra casa dele e ele dormiu e fim.

Conforme ditado por Júlia Batista Casal (6 anos)
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P.S.: Para escrever esta história, Júlia usou seus desenhos e colagens, trabalhinhos da escola. Ela juntou tudo e foi passando um por um, criando a história a partir de elementos que ela encontrava em cada desenho na ordem em que apareciam.

P.S.2: Entre os desenhos que ela reuniu tinha uma folha em branco. Quando estava criando a história e passou pela folha em branco ela viu a folha, disse: “hum, vai servir”. Então saiu: “Dentro da casa estava tudo em branco”.

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– Boa noite meus caros. Vocês devem ter muitas perguntas. Uma delas deve ser: “O que estou fazendo aqui?”, outra provável: “Quem é esse sujeito?”, ou ainda: “Será que estou sonhando?”. As respostas: 1 – Você está aqui por que foi indicado por um amigo. 2 – Sou um funcionário da organização. 3 – Não, você não está sonhando.

– O que foi meu anjo? A mordaça está machucando? Espere aí, vou soltar um pouco.

– Que merda é essa???

– Ei ei ei!! vamos com calma!! Pronto! Espere a sua vez de falar!!!

– Onde eu estava mesmo? Ah sim, vocês foram indicados por amigos para estarem aqui. Infelizmente não podemos revelar quem indicou cada um de vocês, isso faz parte do contrato. Considerem isso uma pesquisa comportamental, apesar de não ter um método muito científico. Entretanto, exige uma logística formidável trazer vocês todos até aqui.

– Primeiro temos as indicações. Logo após isso nossos técnicos localizam endereço e telefones de cada um de vocês. É uma pesquisa bastante exaustiva, já que só temos o nome completo como indicação e não queremos cometer nenhum engano. De posse do endereço, uma equipe é enviada para analisar os hábitos de cada um dos indicados. Após uma semana, uma data é afixada, outra equipe é enviada para sedá-los durante o sono e conduzí-los até esta sala sem que sejam percebidos. É realmente um trabalho de profissionais!! Somos muito competentes!

– Sim? Não entendi. Por favor amigo, repita a pergunta quando puder se expressar melhor.

– Continuando, de que se trata a pesquisa? Bem, aí é que está o ponto crucial da questão, tenho certeza que todos vão se surpreender e concordar que essa pesquisa é realmente muito especial. Aliás, esse é o nosso diferencial, estarmos sempre um passo à frente e surpreendermos nossos clientes.

– Vocês meus caros, foram indicados por amigos muito próximos de vocês, para serem torturados e executados, de forma lenta e dolorosa.

– Não, não serei eu que irei fazê-lo, se é isso que vocês querem saber. Não suporto a dor alheia. Me faz mal. Será outra de nossas equipes profissionais, especializada e bem treinada para isso.

– Então, como respeitamos muito a opção de escolha do cliente – isso faz parte de nossa política de relacionamento – temos a opção de, a qualquer momento ou etapa do processo, suspendê-lo totalmente e cancelar o cadastro do cliente, mediante a indicação de outro cliente para o mesmo serviço. Este cliente deve, necessariamente ser um amigo bastante próximo de vocês… Gostaria de lembrar que a proximidade entre o cliente e o indicado é averiguada no processo de análise dos hábitos do indicado e que, havendo qualquer discrepância de informações sobre os vínculos, o acordo será desfeito sem possibilidade de negociações.

– A partir da indicação de um novo cliente, Vocês podem ser liberados para suas casas e voltarem a ver suas vidas tranqüilamente. Seus cadastros serão apagados, entretanto, nosso sistema guardará referências de cada um, para que não voltem a ser indicados.

– Para finalizar, gostaria de lembrar que nossa empresa atua no mercado há mais de 10 anos e que nesse tempo todo nunca tivemos uma morte, embora alguns tenham sido bastante torturados. Todo o processo é realizado com acompanhamento médico, de modo que as possibilidades de morte acidental sejam minimizadas. Todos os equipamentos utilizados foram esterilizados, são de uso individual e serão descartados após o uso. Nossa empresa também se preocupa com a questão ambiental, portanto, todo o material passível de reciclagem será recolhido e separado com com essa finalidade.

– Bem, dada esta introdução, deixo vocês aos cuidados da equipe de atendimento para que comecem os procedimentos. Se houver necessidade, à qualquer momento, qualquer um de nossos funcionários pode repetir qualquer parte do contrato e dirimir qualquer eventual dúvida que possa surgir, portanto, não sejam tímidos e perguntem, pois nossos clientes são a razão de ser da empresa. Boa sorte meus caros, até logo!

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Meu Bairro

As ruas da Cidade Baixa são microversos paralelos, são micro versos paralelos e perpendiculares.

Cada rua tem dois lados, cada lado tem dois sentidos, quatro formas de ver. Cada dia tem quatro turnos: manhã, tarde, noite e madrugada. Cada turno imprime suas cores nas ruas da Cidade Baixa. Dezesseis formas de ver.

As ruas são tão diferentes entre si, e cada lado é tão assimétrico. Arquiteturas de várias épocas e estilos, uma rua em especial parece ter sido tirada de cuba com suas casinhas conjugadas e portas e janelas coloridas, sem muros, direto na calçada, calçadas estreitas onde quase se pode ver um velho sentado na porta tomando alguma coisa observando o movimento, quase saída de um buena vista social club. Tem ruas com arquitetura colonial portuguesa e alemã. Sobradinhos açorianos pintam boa parte do bairro, as vezes escondidos pela decoração moderna dos estabelecimentos, que tentam “restaurar” uma aura antiga que não é a mesma do prédio ou do bairro. Anos 50, 60, 70, 80, 90, 00.  Cada época representada de alguma forma, seja na arquitetura seja na reforma.

Durante o dia são ruas tranqüilas, casas de costura, loterias, tabacarias, locadoras, imobiliárias, academias, brechós, bazares, salões de beleza, restaurantes, ferragens, fruteiras, mercados, padarias. Dá pra distinguir quem é do bairro e quem está de passagem pela forma de andar. A decisão no passo e no olhar, a velocidade.

À noite os bares e casas noturnas, farmácias, a sorveteria jóia, tudo ferve. Não parece mais o mesmo bairro, tantas pessoas nas ruas com um objetivo em comum: diversão. as formas são as mais variadas e pessoais. A Rua da República, a Lima e Silva, a José do Patrocínio, a João Alfredo, a Venâncio Aires, todas com um fluxo de pessoas muito grande. Nessas horas as tonalidades da noite são bem diversas, árvores iluminadas com a luz verde ou vermelha dos neons. Toda a restauração anacrônica dos sobradinhos antigos funciona perfeitamente para evocar uma boemia distante da história do bairro, mas que se tornará a marca desse tempo.

A única coisa presente em todos os momentos e ângulos da Cidade Baixa é a decadência. Decadência em notas paralelas, é uma espécie de tema executado por músicos diferentes, com apelos, notas, improvisos diferentes, mas no fundo o mesmo tema, que acompanha todas as ruas em todos os horários. Uma deterioração que pode ser sentida na alma do bairro, uma deterioração própria, peculiar, única.

Vocês podem dizer que isso é bairrismo da minha parte. Talvez seja. Que o Centro tem coisas bem mais peculiares, que o Moinhos de Vento e o Bom Fim são mais interessantes. São interessantes, são peculiares, tem mais história, mas não são tão variados, tão vivos.

Por isso que eu amo esse bairro.

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Matilhas

Animais vivem em grupos e eles não tem crises de identidade e de solidão, talvez eu devesse me tornar um.

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Filtros

Pois é Zé, o mundo segue girando. Eu paro na sacada e olho os prédos distantes – com novos filtros para melhorar o alcance – e vejo novamente as convulsões das entidades vivas e não só as minhas. Recupero aos poucos algumas capacidades antigas, de quem estava meio alheio ao tilintar das moedas e mais atento ao frigir do ovos da existência na Terra, na América, no Brasil, em Porto Alegre, na Cidade Baixa.

Olho e percebo novamente os tons do céu, a neblina, as luzes que se acendem e se apagam. Olho para os prédios quase sem a curiosidade de saber a metragem quadrada dos apartamentos ou se os banheiros tem ou não box de vidro e sobre os preços dos condomínios. Gás central? Elevador?

Não, minha preocupação é com a frequência com que as luzes acendem as 4h da manhã, com os motivos para que as cores da noite recebam essas variações débeis, provocadas pela claridade de uma lâmpada fluorescente de 60w através de uma basculante de banheiro, coberta de poeira.

Tento identificar os códigos, o padrão de repetições: segundo andar, térreo, quarto andar.

Lançando a vista longe, muito longe, consigo ver um morro, grama verde, árvores. Imagens quase opostas que completam o quadro heterogêneo que me prende nesta madrugada fria.

Óculos realmente me faziam falta.

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Dor

PQP!!! dói muito mexer nessas coisas, que merda. Porque??? porque???

Não dá pra entender, não dá mesmo, é demais pra mim, sério, passou do meu limite. É uma mácula muito grande, estrutural.

Foi uma morte minha, perdi um jeito de sorrir, que nem o Mário.

Tem um buraco enorme em mim, enorme. Eu não sei o que faço com ele. Pensei em apagar fotos, mas não adianta. O buraco tá na minha história… conheço pouquíssimas coisas que me atingiriam tanto.

Não sinto raiva, não sinto ódio, não sinto remorso, não sinto culpa, não sinto nostalgia, só sinto vazio.

É um buraco grande, bem grande. Mas eu vou encher ele de novo. Vou reconstruir esse espaço de mim que tá faltando. Vai demorar mais do que eu pensei, mas tudo cicatriza, cedo ou tarde.

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