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Archive for dezembro \31\UTC 2007

Seguindo a puny, as coisas que eu fiz, li e aprendi em 2007, em palavras-chave:

Torres. Fim. Começo. Decepção. Fim. Delicious. Josi e Marcela. Santíssimo. Museu Hipólito da Costa. Saudade. Viajar. Carlos Barboza. Paula, Ana e Edy. Fefo. Festa do Café. Caxias. Lilly. Clarissa. Cézar. Bahamas (o bar). Dora. Empatia. Museu Julio de Castilhos. Jana. Tom Waits. Pasteis da República. Space Derby. Julia (todos os anos ela é sempre uma descoberta para mim). Will Eisner. Mangás de horror. Twitter. Unpop Art.

Com certeza tem mais, coisas e pessoas, não menos importantes do que essas.

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Ir

Eu sei que a vida e o mundo são mais do que a tv me vende, sei que os lugares que eu ainda não vi me chamam pelo nome, quase me pegam pela mão.

Mas por enquanto sou daqueles deslumbrados que choram em Pinhal só pelo cheiro de maresia, que tem síncopes em Carlos Barboza, só pelo efeito da serra nos ouvidos.

Eu conquistarei o mundo um dia. Sinto que nasci para viajar, gostaria mesmo de não ter quaisquer raízes. Me sinto preso à vida que levo, às instituições sociais que pertenço.

Um dia meu horizonte será diferente a cada dia, e neste dia, sinto que de alguma forma eu vou estar realizado.

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Idealizações

Te peço por favor, seja perfeita. Goste das mesmas coisas que eu, queira as mesmas aventuras, faça planos similares.

Goste dos meus amigos, freqüente os mesmos lugares. Não sinta ciúmes das minhas amigas, mas sinta ciúmes.

Não tente me sufocar e manipular, mas seja firme em suas posições e tente me convencer.

Precise de mim, necessite de mim, mas não para te completar, seja auto-suficiente e segura.

Ria de minhas piadas e escute as minhas histórias. Me conte boas piadas e histórias.

Goste de sexo e não tenha travas, me deseje e seja desejável. Seja engraçada depois do sexo! Não acaricie meus mamilos jamais!!

Me conte o seu dia e ouça o meu, tenha interesse verdadeiro nisso e me faça ter também.

Me escreva quando estiver longe, sinta minha falta.

Goste de deitar na grama e cantar. Se encante com estrelas.

Tenha paciência, saiba lidar com a minha falta de atenção (se precisar, a lilly te ensina).

Reclame da bagunça do meu apê (assim me obrigo a arrumá-lo).

Desenvolva uma linguagem muda comigo. Me olhe e me entenda, me deixe te olhar e te entender.

Aceite minhas contradições e neuroses.

E por favor, exista!

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Putz

Isso realmente me surpreendeu! Tinha que ser algo extremamente nerd!! O que poderia ser mais nerd do que corrida de foguetes espaciais organizadas por escoteiros??

As vezes eu penso que se Deus existe Ele é bibliotecário!!

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Valores Morais

– Não seja tão cristão, vamos, puxe o gatilho!

– Dá pra esperar? eu não tenho certeza se quero mesmo fazer isso!

– Então porque veio? Veja bem, não é uma questão de insensibilidade, é que enquanto você fica aí com seus embates morais, está dando esperanças ao rapaz, ele está realmente acreditando que você vai desistir do serviço e deixar que ele vá embora. Acho isso um pouco egoísta da sua parte.

– Egoísta??? Eu vou matá-lo e você me chama de egoísta por não querer fazê-lo!

– Opa! Você está invertendo as coisas! Você não quer matá-lo por causa da sua formação moral, não por que sinta pena dele. Se sentisse pena, já teria feito!

– Porra! minha formação moral me faz sentir pena dele, por isso, não quero matá-lo!

– Não, você está preocupado com a sua própria consciência, e não com a vida dele, você vai matá-lo, mas quer que ele saiba que você tem valores e que não quer fazer isso. É isso que eu considero cruel e egoísta, por que dá falsas esperanças pro guri.

– Mas quanta besteira! Não preciso exibir minha consciência pra ninguém! Vou te dar um exemplo, no natal do ano retrasado eu estava sozinho em casa, todo mundo tinha viajado e eu estava meio “blue” assim, entende?

– Porra, não, como assim “blue”?

– Blue é como os americanos chamam a tristeza, cara, melancolia.

– Aah, sim, sim. Tá, você estava meio “blue”, e daí?

– Pois então, eu estava meio blue, daí resolvi sair pela rua e comprei um frango assado, desses de televisão de cachorro.

– Sim, desses que tem o cheiro melhor do que o gosto.

– Isso. Bem eu saí andando com o meu frango assado e… Ahh eu comprei tb um champagne. e quando eu estava perto do centro tinha um mendigo dormindo embaixo de uma marquise. Ele não estava realmente dormindo, era a criatura mais subnutrida que eu ja vi, todo imundo. Eu sentei do lado dele e dividi o meu frango e o meu champagne com ele. Comemos ali, com a mão mesmo e tomamos o champagne no bico.

– Tá, e o que isso prova?

– É que até agora eu não tinha contado isso para ninguém.

– Aaah sim, você quer dizer então que não precisa exibir sua consciência para ninguém porque nunca tinha contado essa história do mendigo??

– De certa forma, sim.

– Mas agora acabou de contar!

– Cara, fazem 2 anos já que isso aconteceu!

– Faz

– Como?

– Faz 2 anos, ao menos não assassine a língua. E além do mais, tanto faz quanto tempo você esperou para contar, o negócio é que contou.

– Aah cara, não enche!!

– Vai duma vez com isso aí, esse papo de frango assado me deixou com fome.

BLAAM!!!

– Pronto, satisfeito?

– Sim, Madre Tereza, agora vamos comer alguma coisa.

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Conheci ela por acaso. Noite normal, como qualquer outra. Lugar de sempre.

De cara me surpreendi com o conhecimento que tinha sobre música e cinema. Conhecia muitas coisas, as coisas certas, em uma cadeia lógica de influências. Não conhecia muitas outras. Característica típica das pessoas que buscam informações sobre as coisas que gostam.

Fazia notas mentais vorazes, toda vez que algo desconhecido era citado. E respondia com o ar blasé mais fajuto que eu já vi: “humm, não conheço”.

Isso me fez gostar mais dela. Um interesse verdadeiro ocultado é diferente de uma falta de interesse real ostentada como superioridade. Tinha algo nela que transcendia aquele ambiente indie que a deslumbrava, algo que eu sempre procuro nas pessoas. Quando ela foi lá em casa e conheceu minha coleção de mp3 e videos, deixou de tentar ser blasé. Mapeava tudo e fazia rankings, nerdismo do qual sou um fervoroso adepto.

Da segunda vez que a encontrei, ela não parava de fotografar. Tirava fotos das bandas em um show de halloween. Tirou muitas fotos boas, mais por sorte que juízo. Era trabalho de faculdade, cursava jornalismo. Parecia uma profissional, procurando o melhor ângulo, a melhor luz, apesar de, momentos antes, eu ter de ensiná-la a desligar o flash.

Era apaixonada pelo que estudava. Falava sobre cybercultura e pós-modernidade, pop art e vanguarda, post-rock e chanson française. Tinha a propriedade sobre esses assuntos que só os aficcionados possuem. Conhecia as fontes certas.

Sabia pouco, é verdade. Tinha mais metadados que informação real. Leu mais resenhas do que assistiu aos filmes, conheceu trechos deles no youtube. Fazia isso porque tinha compulsão por saber.

Misturava delicadeza e sensibilidade com falta de coordenação motora e acidez extrema. Era a mais tosca, predestinada a derrubar e quebrar coisas e era corrosiva como soda cáustica.

Se vestia mal e fingia que não se importava, na verdade fazia uma concepção totalmente equivocada do próprio corpo. Era bonita e tinha boas formas, mas, produto da sociedade atual, via no espelho um quadro cubista.

Não entendia muito da vida, olhava tudo com surpresa, apesar de morrer negando isso e estar sempre revestida daquele ar de desinteresse e tédio que não escondia nada, como um lençol que não tapa os pés.

Era a confusão em pessoa, perdida num universo que a excitava e assustava. Ia desbravando aos poucos a recém conquistada liberdade, experimentando e comparando, com paixão e medo.

Contraditória e linda, sua beleza não era a beleza da perfeição, era uma beleza mais sólida e pungente, mais dinâmica. Vida era o que transpirava seu olhar. Um encantamento mais forte do que qualquer arte ou artifício.

O que tinha de especial era a forma como era normal, totalmente única. Não impressionava com feitos homéricos, distinção superior ou qualquer outra ilusão. Era apenas o que era, e isso bastava… e isso transbordava.

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Minha obsessão

Sim eu sou obcecado pela falta de sentido das coisas!!

Não, eu não reclamo que elas não façam sentido, pelo contrário, eu gosto muito disso!! Não acho que as coisas devam fazer sentido, nem me importo que o universo seja caótico e que as coisas ocorram ao acaso.

O que me incomoda é essa condição humana de procurar significados em tudo. A civilização está estruturada de forma a criar sentido para todas as coisas, classificações, valorações, taxonomias. Nossos ritmos de vida estão pautados em significações grosseiras e limitantes da realidade.

Vivemos achando que as instituições sociais são imutáveis e quando a relação dessas instituições com a realidade se torna insustentável, perdemos o pai e a mãe, ficamos totalmente vazios de significado. É nessas horas, em que a confusão se instaura, que realmente podemos ter contato com o real. Mas prefirimos chamar esse período de “mudança de paradigmas” e encontrar outro modelo limitante para que as coisas continuem fazendo algum sentido.

Estudamos, trabalhamos, procriamos, envelhecemos e morremos, pensando que essas coisas, cada uma dessas etapas, tem um propósito. Dependemos de cada uma delas, nos deixamos levar por lugares e vínculos que verdadeiramente não queremos, por que tem que ser assim, por que “é a vida”.

Não ousamos admitir que essas coisas não tem qualquer objetivo. Reforçamos a todo instante que estamos indo para algum lugar, que a história tem começo, meio e fim, e que o final é feliz. Criamos conjuntos de crenças e depositamos nossa esperança neles. Inventamos respostas para o que não conhecemos. Temos medo de ficar sozinhos, precisamos de companhia e de conversas superficiais, precisamos de elogios e de palavras de incentivo, por que não sabemos ao certo se as coisas são assim mesmo, se estamos no “caminho certo”

Desculpem, meus amigos, mas não há caminho certo, nesse mundo ou em qualquer outro, as coisas simplesmente são, não há um grande propósito por trás de nada.

Há apenas um medo, primitivo e incontrolável, de ter que decidir entre possibilidades infinitas.

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