Feeds:
Posts
Comentários

Archive for janeiro \31\UTC 2008

Incomunicável…

Ah as palavras, intenções engessadas, dissolvidas no vento, incomunicáveis. Não expressam senão a sombra do que representam, jamais tocam os ouvidos como deixam as bocas…

Read Full Post »

\o/

Read Full Post »

Não podemos fundamentar nossa auto-estima sobre comparações. Fácil dizer né? Demorei anos para aprender isso, mas sem dúvida foi uma das coisas mais importantes que percebi sobre as pessoas.

Comparações são cruéis e não necessariamente verdadeiras, na verdade são invariavelmente falsas sob muitos pontos de vista, mas sempre escolhemos os pontos em que elas justificam nossos medos e fracassos.

Qualquer avaliação por comparação é tendenciosa, perigosa e quase nunca conduz à satisfação. É uma forma de limitar as possibilidades livres de uma pessoa à ação predeterminada de outra.

Tá, mas e como parar de comparar? Pois é, daí o buraco é mais embaixo. Não existem fórmulas ou prescrições médicas para isso, mas tem alguns conceitos que funcionaram comigo.

Em primeiro lugar, é preciso abandonar a ilusão de que podemos ser melhores do que qualquer pessoa em qualquer coisa. Não que eu não possa ser melhor do que alguém, mas isso é realmente irrelevante e impossível de medir. Partamos do princípio que as pessoas são muito diferentes e tem interesses, comportamentos, pensamentos, sentimentos, necessidades e reações diferentes, valores e julgamentos de valores diferentes e por isso preferências diferentes. Parece óbvio, mas é fácil esquecer isso quando nos concentramos em nossos interesses egocêntricos.

Quando nos comparamos com alguém, isolamos um comportamento dessa pessoa em relação ao objeto de interesse – que quase sempre é outra pessoa ou grupo de pessoas – e isoladamente comparamos as habilidades de um e do outro naquele contexto isolado, para aquele alvo específico. Nesse processo, normalmente ignoramos a maior parte das interações possíveis, que se fossem equacionadas, alterariam a comparação. Interações que abrangem outras habilidades tão ou mais importantes para o objetivo e até mesmo as expectativas do alvo em relação ao que se compara.

Ok, eu me explico melhor. Só por que uma pessoa corre mais rápido do que outra, não significa que ganharia uma maratona. Vi dia desses na televisão uma corrida entre um atleta, um lixeiro e outras pessoas que não lembro bem, era uma corrida curta, 100 m talvez mais. O lixeiro ganhou. Mas se o percurso fosse mais longo, exigisse mais resistência do que propulsão, talvez o resultado fosse diferente. O que quero dizer é que não é só a habilidade imediatamente relacionada a uma coisa que determina que você é melhor ou pior que outra pessoa ao fazê-la. Existem muitos outros fatores que tendemos a ignorar.

Tudo bem, mas o que isso tem a ver com auto-estima ou com o comportamento humano? Tudo, quando nos comparamos com alguém, o fazemos com expectativas em relação ao resultado e geralmente inseguros de que este nos seja favorável, e este fato por si só aumenta a tendenciosidade do raciocínio.

Comparações são mecanismos lógicos perfeitamente válidos e muito úteis, são a base de nossos sistemas de medidas, das balanças, do sistema financeiro e, por que não, de toda a matemática. Mas se a ferramenta funciona bem com objetos exatos, racionais, não acontece o mesmo com o comportamento humano. Somos inexatos, irracionais. Nosso comportamento é fruto de interações complexas que somos incapazes de enumerar e avaliar com precisão.

Por esses motivos fujo das comparações. Elas são legado de um racionalismo extremo que procurou dimensionar o comportamento humano – reduzir seria mais apropriado – a uma atividade puramente mecânica, onde não há problema que um bom cálculo não resolva.

A comparação é um hábito tão enraizado subconscientemente que praticamente não há como evitá-la. Mas sabendo a origem dessas conclusões, podemos, aí sim racionalmente, desacreditá-las e buscar soluções mais dinâmicas e apropriadas para nossos problemas.

Read Full Post »

Ângulos

Não, meu bem, o mundo não é simples, ele não tem dois lados que se contrapõem e um ganha e o outro perde. Não é assim que as coisas funcionam.

Bem e mal são conceitos limitantes, são elementos presentes em todas as ações e não ações. Não são pesáveis, não há medidas para eles e nem testes laboratoriais que os demonstrem. O que se pode medir são as conseqüências. Somente isso. Pautar o mundo por esses conceitos é talvez o erro mais antigo. Talvez seja essa a metáfora bíblica: perdemos o paraíso por descobrirmos o bem e o mal. Nos tornamos maniqueístas e essa forma limitada de resumir os fatos nos prende à incompreensão. Finalmente algo na bíblia parece fazer sentido.

Mas, amor, não é isso que quero te dizer hoje. Quero te pedir que entenda, que as coisas não são monocromáticas, que existem muitos nuances de muitas cores e que não podemos dizer que algo seja uma coisa só porque a vemos assim. Existem milhões de pontos de vista – e eu estou apenas citando os físicos – pelos quais um objeto pode ser observado. E existem infinitas situações que podem modificar a forma como ele é mostrado, por qualquer ângulo.

Então, nada de conclusões absolutas sobre heróis e vilões, ok?

Tu nem imagina o quanto foi difícil para mim chegar a essas conclusões. Para mim que sempre apreciei o fantástico e sempre torci pelos mocinhos. Mesmo hoje, por mais que essas coisas formem de algum modo uma cadeia lógica, ainda me parecem tão distantes quanto me pareciam quando criança inocente.

A perda da inocência não é o contato com o mal que existe lá fora, mas sim a percepção e compreensão do mal que existe dentro. A aceitação disso como condição humana. Somente assim perdemos a inocência e ganhamos o controle.

Não tema, meu amor, as coisas ruins que a vida te reserva. Tema a tua reação diante delas.

Read Full Post »

Futuro

“Começará em 2015…” dizia ele sobre a data em que o universo ia ficar confuso. É estranho, na história da humanidade profetas são personagens bem comuns, e teorias do apocalipse, armagedon e outros, são quase consequência lógica de tempos como este. Mas esse cara, não sei por que, esse cara me parece estar certo.

Sempre fui cético, tenho uma série de argumentos que me impedem de levar à sério qualquer suposição fantástica. Por que dessa vez essa tendência?

Ele não tem nada de especial, as mesmas roupas desalinhadas e barba descuidada, os mesmos olhos injetados, a mesma convicção. Mas estranhamente tudo parece tão lógico, tudo se encaixa!

Segundo ele, em 2015 a nossa noção de tempo vai se alterar, descobriremos que amigos de infância tem entre si diferenças de idade de 80, 100 anos. Perceberemos que a época em que vivemos não é a mesma para todos e que mesmo os lugares de memória não são iguais. A partir disso, relógios e calendários não farão mais sentido algum. o conceito de momento também vai cair. Perceberemos que alguns seres humanos vivem em contagem inversa do tempo e vão rejuvenescendo enquanto envelhecemos, para eles a impressão será idêntica.

As relações humanas serão profundamente afetadas por isso, principalmente as relações de trabalho. Se iniciará a era do nomadismo espaço-temporal. A grande massa humana migrará para épocas e lugares de abastança. Não será mais possível o controle de natalidade. Crianças nascerão antes de ser concebidas. E terão de ser concebidas no futuro para possibilitar a existência no passado

Serão desenvolvidos mecanismos de controle do fluxo humano através do tempo e todos esses sistemas provarão sua ineficácia.

O caos espaço-temporal vai se instalar na terra, poucas regras serão respeitadas.

De alguma forma eu sinto em mim que isso já está acontecendo…

to be continued…

Read Full Post »

How I stop to worry…

Noite, o apartamento na desordem habitual, mimetismo quase fiel do meu estado interno. No computador a frase “to be continued…” anuncia o final de um episódio do seriado. Enquanto o crystal player fecha, eu espero a sensação de solidão me dominar…

Surpresa! Dessa vez não me sinto angustiado. Estou sozinho, realmente e irremediavelmente sozinho, mas não acho isso ruim. Não dessa vez.

Hoje a minha cama bagunçada, as sacolas de lixo na cozinha esperando há semanas por alguém que as carregue por 2 lances de escada, a pilha de roupas no sofá, as carteiras vazias de cigarro pelo chão, nada disso me incomoda, nada disso me faz sentir só.

Parece que finalmente eu me basto. Não preciso mais de uma personalidade paralela para não ter que conviver com minha inconformidade comigo mesmo. Eu me aceito.

Não deixo de desgostar de centenas de coisas em mim, mas parece que consigo agora de uma certa forma isolar essas coisas e analisá-las como um observador externo. Não resolvi meus problemas, mas de alguma maneira eles não me incomodam mais.

Sei que essa sensação plena vai desaparecer, é um estado, não uma condição perene, mas também sinto que algo disso vai me acompanhar a partir de agora e que será uma boa companhia.

Read Full Post »

Give up

E caminhei ao lado dela sem pronunciar palavra, sabendo que dois mundos secretos estavam ali encerrados, sem possibilidade de comunicação, duas expectativas, talvez em comum, mas que não sairiam por nenhuma das bocas. Havia uma parede invisível entre nós, impedindo qualquer som, qualquer compreensão. Talvez fosse de vidro, facilmente quebrável,  talvez fosse à prova de balas. O fato é que não houve esforço por quebrá-la. Ambos permaneceram em silêncio.

Tentei, 2 ou 3 vezes, conversas triviais que eram respondidas com monossílabos em tom monótono. perguntas diretas tinham respostas evasivas, mas não se pode dizer que eu realmente tenha tentado.

Acho que desisti, ao perceber que qualquer esforço levaria à frustração, ou desisti antes disso, não sei dizer. Mas desisti, desisti e calei também.

Read Full Post »