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Archive for agosto \28\UTC 2008

Minha criança, um dos erros mais típicos das pessoas é achar que existe alguma justiça inerente às coisas, como se o próprio conceito de justiça não fosse apenas uma racionalização humana, operacionalizada para possibilitar a vida em grupos.

Não existe justiça fora da esfera dos julgamentos humanos e nem todas as interações humanas estão sujeitas a conceitos como mérito e justiça. Não existe justiça entre as estrelas, nem entre os animais e plantas. Não há justiça em nossas relações emocionais.

Não, não estou enfatizando o pequeno alcance da justiça, nem reclamando da natureza por não obedecer à tão nobres ditames. Só te digo isso, querida, por que sei que temos a tendência de tentar aplicar nossa lógica à coisas e eventos nos quais ela não se aplica.

Não se pode esperar que a vida nos conceda o que merecemos e que temos direito. Simplesmente porque não merecemos nem temos direito. Esses valores não se aplicam a existências. Esperar receber um salário no final de um mês de trabalho é algo justo, são termos de um contrato firmado dentro da lógica humana. Esperar por realização no trabalho não é, justiça não atende a essa relação.

Qualquer expectativa por felicidade, em qualquer das esferas emocionais é uma ilusão, um engano e uma impostura. Paralisa quando a ação é necessária. Não confunda expectativa com sonho ou desejo. Expectativa é espera e espera é passividade. Sonhos e desejos são como bússolas, como mapas, como destinos, seguimos eles, buscamos eles, atingimos eles.

Então, meu amor, não espere justiça da vida. Não espere nada da vida. Vá busque a tua própria justiça, faça o teu próprio mérito. É a única forma de ser e ter realmente tudo o que se deseja.

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Silêncio

Começo a perceber que para escrever é preciso de um pouco de auto estima.  Talvez seja por isso que não sai nada dessa cabeça nos últimos tempos. Não tenho muito disso ultimamente, não o suficiente para escrever.

Mesmo que seja para me ironizar ou me detonar, é preciso uma certa sensação de superioridade ao hábito, de ter certeza de que ele é patético mas que, “vejam, eu noto isso, tá no papo!”.

Isso é o que me falta. Me falta ser mais alheio a mim mesmo, me levar menos à sério. até que isso aconteça, não vai fluir muita coisa e o que vier, vai ter o desgosto da falta de consciência, a mediocridade de quem não percebe o mundo à sua volta por que tem os olhos fechados pelo medo.

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