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Archive for outubro \09\UTC 2008

– Talvez devessemos desligar a força.

– Não seja estúpida, desligar a força implicaria desativar os produtores de oxigênio, morreríamos em quatro horas e 23 minutos eu, e você em 3 horas e 7 minutos. E de nada adiantaria, ficaríamos à deriva no espaço, em um setor inabitado.

– Bom, temos os controles manuais…

– A sala de comando mecânico está infectada pela doença, e mais, o computador não permitiria ser desligado.

– Não entendo porque isso tudo aconteceu. Vai contra todas as regras da exploração espacial mandar uma expedição tripulada para um local não registrado sem que todas as análises ambientais tenham sido realizadas. Remover os capacetes do uniforme nessas condições é ainda mais absurdo. O que deu no capitão para decidir isso? O que fez os demais seguir o exemplo sem questionar algo tão básico? E o que nos fez permitir que retornassem a espaçonave com a possibilidade de contaminação?

– Não tenho dados suficientes para formular respostas lógicas para suas perguntas, mas há uma hipótese. Podemos estar sob controle psiquico da entidade alienígena localizada nesse satélite. Na realidade, não sei mesmo porque formulei essa hipótese, já que não tenho quaisquer dados para corroborá-la, nem mesmo sabemos se a entidade é inteligente.

– E agora somos os únicos sobreviventes em uma nave à deriva, com a tripulação tomada por uma doença que os deixa irracionais e sedentos por sangue, e um supercomputador que adquiriu consciência e tenta nos eliminar. Aliás não entendo porque ele simplesmente não desliga os produtores de oxigênio.

– Nada faz sentido…

– Oh! estou com tesão. Por favor, me possua! Quero sentir sua pica enorme me penetrando!

– Oh sim! tire seu uniforme protetor, sempre quis te enrabar, sua puta!

– Oh seu pau é enorme! Oh! está me rasgando por dentro! Oh! porque estamos fazendo isso? Eu nunca quis dar para você! E porque estou falando dessa forma ridícula? Oh sim, não pare!

– Oh, você é uma puta tão apertadinha! Não faço a menor idéia de como isso está acontecendo! Sou um ciborgue, minha programação exclui esses impulsos animais típicos dos humanóides, não há lógica nisso tudo. Oh seu rabo é divino!

– Oh mete fundo! Não pare! Tudo isso que está acontecendo conosco, todos esses clichês, que falamos e toda essa situação, tudo parece extraído de um daqueles livros de ficção científica da antiguidade na terra. Toda a falta de sentido. Oh! Que gostoso!

– Sim, vadia! Você gosta de dar o rabo não? Parece que somos personagens de uma história, idealizada por um escritor medíocre e pervertido, cheia de clichês, pontas soltas e absurdos, totalmente inverossímil. Você lembra de algo de sua vida antes disso tudo acontecer? eu não!

– Eu adoro! Isso, não pare! Oh! Eu também não! A coisa toda é muito ridícula. Até mesmo o fato de termos consciência do absurdo em que estamos envolvidos e toda essa falta de sequência, é…  bem, um recurso metalinguístico tão batido. Deve haver zilhões de histórias utilizando isso e…

– Oh meu deus! eu vou gozar!! Oh você é tão maravilhosa! estou quase lá!!

– Oh sim! Eu também! Sinto que vai ser o maior orgasmo que já tive! Oh sim!

– Gozaremos juntos meu amor!! Em sinal de protesto contra toda essa mediocridade narrativa!

– Oh sim! Vai ser maravilhoso! Estou chegando!! Estou cheg…

FIM

HEHEHE.

Sacaneei eles!!

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Não lembro se já disse isso aqui, mas adoro mudanças. A estabilidade me deixa um pouco cabreiro. E sou funcionário público, vai entender…

Depois de 3 anos morando sozinho e me autogerindo (muito mal, por sinal), estou dividindo apê com duas amigas, duas das pessoas que eu mais gosto nesse bueiro que chamamos de mundo, a Ana e a Paula. Resolvi aceitar o convite por que convivi com elas e julgo, pela forma que elas vivem, que podemos dar certo, nossas bagunças e manias são plenamente compatíveis e sabemos respeitar o espaço um do outro (confio mesmo que daqui há uns meses não estarei aqui me queixando do nosso sistema).

Não faço a menor idéia se vou comandar minha vida de forma mais responsável, mas pelo menos vou economizar mais de 50% do que eu gastava com as contas básicas (aluguel, condomínio, luz, telefone e internet) e isso significa, antes de tudo, um ponto de partida mensal melhor.

Mas não é de futuro que quero falar, é de passado. há poucas horas passei na frente do velho JK. Ainda tem coisas minhas lá, estou levando aos poucos. Olhei pela janela, e vi, o interior iluminado (sim, esqueci a luz acesa e a janela aberta) e percebi que essa era uma das últimas vezes que veria, ainda do meu jeito, o primeiro lugar em que morei sozinho. O lugar onde eu mais aprendi sobre mim, sobre meus medos e fraquezas e também sobre minhas alegrias e forças. Dificilmente morar sozinho de novo vai ser algo tão interessante quanto foi no jk.

Não fiz metade do que eu queria ter feito com ele, não deixei ele com a minha cara, embora sim, ele parecesse comigo em muitos aspectos, mas fui transformado por ele e pelas experiências que me proporcionou. Nele eu amei e me decepcionei, fui amado e esnobei, fui superficial, fui profundo, testei meus limites, tanto em energia de buscar por metas, quanto em apatia. Só as paredes dele souberam, só elas, mais ninguém.

Soube o que era solidão de verdade. Me assustei e me acostumei, aprendi a lidar com ela e, principalmente, aprendi a ser feliz com a minha própria companhia. Me diverti e me entediei. Fiz o melhor e o pior sexo. Vivi intensamente.

E agora que passo na frente dele vejo que pode ser uma das últimas vezes que verei assim um lugar tão importante, sinto saudades já. O jk que me ensinou que a vida não é aquela coisa certa, que você vai lá, faz, e sempre vai ter apoio para as consequências, mas sim um campo aberto e escuro, cheio de armadilhas, onde se anda sozinho, sem se saber para onde ir, mas que em compensação, está cheia de boas surpresinhas, reservadas para os mais audazes.

São as últimas vezes que vejo esse lugar!! Não há como esquecer o jk e o que ele me ensinou. Aliás, a única coisa que nunca fiz no jk foi cozinhar. Eu nem tinha fogão! Bom, talvez essa seja uma das coisas que minha nova casa me ensine né?

Não darei adeus ao jk e a tudo que ele representa, levarei para sempre comigo… mesmo assim, sentirei saudades…

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