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Archive for fevereiro \03\UTC 2009

Caminhos

…então levantou e seguiu andando. Andar era o que lhe restava. Desfez-se de tudo, como se cada perda fosse uma vitória pessoal contra tudo que lhe mantinha preso, contra a ilusão de que a vida é necessariamente o que as cidades oferecem, a ilusão de que a vida é necessariamente alguma coisa. Levantou e seguiu andando, a nova vida começava ali, naquele banco que deixava para trás, seu marco zero. Não se dobraria mais, não sofreria mais. Descobriu que o sofrimento estava associado ao apego. Apego pelo material, pelo emocional, apego por si próprio. Descobriu que as coisas (incluindo as pessoas) não duravam, que tudo era inconstante, impermanente. Percebeu que, se tudo é finito, tudo tem o mesmo valor. Percebeu que o sofrimento deriva do apego pelas coisas impermanentes. Decidiu então se esvaziar, viver fora da lei do desejo.

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…então levantou e seguiu andando, era o que lhe restava. Deixou para trás uma vida inteira de conquistas duvidosas, livrou-se das coisas e dos hábitos que lhe prendiam, da noção de que a vida é o que a sociedade oferece, de que ela tem que ser alguma coisa. Decidiu não se dobrar, revoltou-se contra o sofrimento. Descobriu que o sofrimento estava ligado a repressão das emocões, desejos e experiências. Descobriu que as normas de conduta social tinham por principio reprimir desejos e emoções e condenar experiências. Descobriu que as coisas (incluindo a vida) não duravam e que por isso deveria aproveitá-las enquanto existiam. Descobriu que quando reprimia emoções e desejos, deixava que as coisas se extinguissem sem que tivessem sido aproveitadas. Decidiu então se preencher, viver fora da lei da repressão.

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