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Archive for janeiro \31\UTC 2010

Faz tempo que não escrevo, perdi o hábito. As teclas, que costumavam ser macias, estão duras, o toque não é mais suave. Estou aqui sentado, em mais um quarto quente, de outra casa. O silêncio noturno é o mesmo, a insônia também, o jazz também. Só eu que não sou.

Não saberia dizer exatamente quando aconteceu, mas mudei (de novo). Não tenho mais as mesmas expectativas. Mas acho que o que realmente mudou foi a ficção. Parece que histórias ganharam um novo significado para mim. Hoje sei que me alimento delas, são artigos de fé. Entendo que boa parte do que esperamos da vida é culpa das histórias que ouvimos, dos mundos que criamos.

(Outra coisa que permanece é a aleatoriedade) Fujiyama! Que bela música. Quase enxergo uma cerejeira florida, uma colina de pessegueiros, flores coloridas flutuando no ar outonal. Sim, jazz é uma linguagem, como bons filmes, boa arte. O que define se algo é bom é a qualidade da experiência que proporciona. Proponho um sistema de classificação: quantos dos outros sentidos e com que intensidade são mobilizados por uma experiência artística. Você já sentiu o cheiro da cena de um filme? Enxergou a paisagem de uma música? Escutou a melodia de uma pintura? Cinestesia meu chapa! Nem precisa de ácido!

Deixo que a música me transporte noite afora. Afora junto, de aforismo, aforismos noturnos. Rá! Bares e mesas distantes, não me faz falta hoje uma cerveja gelada, nem o calor gelado de uma companhia feminina (talvez o perfume faça). Não quero hoje nenhuma dessas formas de embriaguez. Quero a doce lucidez da fantasia, as promessas mornas de mundos que não conheço porque só existem dentro de mim.

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