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Amor

Um dia o mundo acabará, e estaremos lá nós dois. Não sei com quem tu estará, não sei se ainda lembrará de mim, mas eu pensarei em ti.

Não sei como será, talvez eu veja um clarão e uma nuvem de poeira e tudo então seja tragado pelo caos.  No momento em que eu entender o que está acontecendo, quando eu perceber a inevitabilidade de tudo, pensarei em ti.

Pensarei em ti como nunca pensei. Não da forma como pensava antes, não da forma como penso agora. Será algo novo e tu será nova pra mim…

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Caminhos

…então levantou e seguiu andando. Andar era o que lhe restava. Desfez-se de tudo, como se cada perda fosse uma vitória pessoal contra tudo que lhe mantinha preso, contra a ilusão de que a vida é necessariamente o que as cidades oferecem, a ilusão de que a vida é necessariamente alguma coisa. Levantou e seguiu andando, a nova vida começava ali, naquele banco que deixava para trás, seu marco zero. Não se dobraria mais, não sofreria mais. Descobriu que o sofrimento estava associado ao apego. Apego pelo material, pelo emocional, apego por si próprio. Descobriu que as coisas (incluindo as pessoas) não duravam, que tudo era inconstante, impermanente. Percebeu que, se tudo é finito, tudo tem o mesmo valor. Percebeu que o sofrimento deriva do apego pelas coisas impermanentes. Decidiu então se esvaziar, viver fora da lei do desejo.

*****

…então levantou e seguiu andando, era o que lhe restava. Deixou para trás uma vida inteira de conquistas duvidosas, livrou-se das coisas e dos hábitos que lhe prendiam, da noção de que a vida é o que a sociedade oferece, de que ela tem que ser alguma coisa. Decidiu não se dobrar, revoltou-se contra o sofrimento. Descobriu que o sofrimento estava ligado a repressão das emocões, desejos e experiências. Descobriu que as normas de conduta social tinham por principio reprimir desejos e emoções e condenar experiências. Descobriu que as coisas (incluindo a vida) não duravam e que por isso deveria aproveitá-las enquanto existiam. Descobriu que quando reprimia emoções e desejos, deixava que as coisas se extinguissem sem que tivessem sido aproveitadas. Decidiu então se preencher, viver fora da lei da repressão.

Último dia de trabalho

Não havia nada que pudesse ser feito, as coisas continuariam sua trajetória rumo ao caos. De posse dessa informação, ele se recostou na cadeira e pôs os pés sobre a mesa, respingando sangue no mármore branco, sentindo orgulho de sua atitude.

Tomara a decisão esta manhã, durante o café, enquanto a televisão transmitia o informe econômico e no jornal as notícias internacionais davam a situação do último conflito no oriente médio. As notícias que recebia dos dois veículos não tinham nada de especial, eram praticamente as mesmas todos os dias e não diziam nada a respeito de sua vida, assim ele via. Só mudavam os lugares e os números, todos os dias.

Ele percebeu que a decisão não havia surgido ali, que ela já era decisão antes, quando a idéia lhe brotou na cabeça. Só estava testando os argumentos até aquele momento e foi como se o papel da imprensa ali fosse o de dissuadí-lo de seus propósitos. Gostava de pensar todos os dias, que encontraria um motivo para não fazer o que fez e que poderia então parar de pensar nisso. Na verdade sua esperança, não, não era esperança, sua convicção era a de que isso não aconteceria. E cada vez que via sua decisão reforçada pela mídia, sentia aquilo como uma pequena vitória.

Saiu de casa na manhã cinzenta, olhou em volta, ninguém na rua. Ele saiu cedo demais para o trabalho, levava consigo a bolsa e um guarda chuva. Não pode evitar o sorriso irônico ao perceber a incoerência de levar um guarda chuva para o trabalho, naquele dia. Riu de seu patético instinto de auto-preservação. De que adiantava agora?

Estava certo de que não fora seu asco natural pela humanidade que o levara aquele caminho. Certificou-se de que seus objetivos fossem realmente nobres, testou cada um dos argumentos, foi impiedoso consigo mesmo ao considerar-se cruamente como completo idiota e totalmente desprovido de importância, apenas para ter certeza de que suas ações não seriam movidas por egoísmo.

Entrou no carro e largou a bolsa e o guarda chuva no banco de trás, começou a passar o cinto de segurança e desistiu do ato, dessa vez sem achar graça da inutilidade daquela precaução. Encarava esses cuidados, não como o hábito automático que desenvolvera nos 55 anos em que viveu, respeitando as leis e os costumes, mas como uma súplica de seu corpo, de sua mente inconsciente para que não executasse seu plano.Ele tinha medo, e isso o deixava irritado e ainda mais obstinado.

Quantas vezes ele já havia imaginado esse fim? Era uma fantasia que o acompanhou desde a infância, quando, em devaneios imaginava a situação e as consequências. Sempre imaginava inúmeros contratempos com os quais tinha que lidar para alcançar o objetivo.

Não escondeu a satisfação de passar reto pelo starbuck, onde todos os dias comprava o café que levava para o trabalho. Era uma vitória sobre o medo. Dirigiu rápido, apesar de ter bastante tempo e logo chegou ao prédio principal, onde ficava o seu escritório. Pegou a bolsa (e deixou o guarda chuva), desceu do carro e andou até a entrada do prédio. Calculou se foi sinal de fraqueza estacionar o carro na mesma vaga de sempre e concluiu que devia fazer tudo o que faz habitualmente, para não levantar suspeitas.

Hoje o sistema de trancas estava sendo reparado, sabia que teria 10 minutos. Passou rápido pelo escritório e pegou a chave que somente ele possuía. Em qualquer situação natural somente essa chave não seria o bastante, o sistema de trancas impediria a entrada de quem quer que seja naquela sala sem uma autorização formal do comitê de avaliação. 75% dos membros deveriam ser reunidos a qualquer hora que isso fosse necessário, o voto seria imediatamente transmitido para o sistema que liberaria a porta. Mas hoje não.

Os 3 guardas estavam parados, a 25 metros da porta o primeiro e a 35 metros os outros 2, com 10 metros entre eles, conforme o protocolo específico, aguardando a reativação do sistema de trancas. O problema de sistemas infalíveis é que a infalibilidade provoca confiança excessiva. O protocolo prescreve que os três guardas deveriam estar empunhando suas armas e em estado de alerta total. e deveriam atirar em qualquer pessoa que ultrapassasse o centro do triângulo em que se posicionavam. As armas deveriam estar apontadas para o candidato que se posicionasse ao centro do triângulo, até que suas credenciais fossem checadas e sua autorização confirmada. As armas sequer estavam preparadas quando ele se posicionou ao centro do triângulo e disparou as duas pistolas contra os guardas mais afastados. Recebeu o tiro disparado pelo terceiro no ombro, pouco antes de derrubar também esse. Mas essa era uma situação que tinha previsto, fazia parte do risco e no final, estava certo sobre os resultados.

Antes de sentir qualquer dor, girou a chave e digitou o código manual de abertura. Entrou e trancou a porta por dentro. Acionou o botão vermelho no centro da sala.

Seu último pensamento, foi a constatação de que esses botões sempre são vermelhos…

Tudo, e tu?

É meu amigo, poi zé. Nada que não se dê um jeito, não? Pois eu acho que não. Meio defícer me consertar depois de tanto tempo! Tantas pequenas antisocialidades vencidas e outras tantas adquiridas. Será que troquei as certas? Ou será que só ampliei a coleção com aquelas que mais prejudicam?

Acho que mantive as perigosas. Mas, como disse um bêbado, no velório do colega de copo: pois é, se fudeu!

Não vou começar com aquele papo conformista de que estou velho demais pra mudar isso, mas porra, to velho demais pra mudar isso. Tenho pequena parcela de total culpa na forma como lido com isso. A outra parcela eu jogo pra cima dos outros. Fico todo acoitadiço. A parte boa disso é que guardo sempre pra mim, ninguém me ve choramingando por aí avitimado de todas as malvadezas das pessoas, todas elas direcionadas ao mesmo tempo pra mim.

Ainda mais nessas épocas de aniversário, sempre fico um pouco emificado, avaliando tudo que deixei de fazer, por mongolice ou por medo, no ano que passou.

Mas a questão é essa. Adquiri certa autosuficiência , o suficiente para entrar em pequenos colapsos quando a coisa desanda. Quando se tem mamãe por trás ou mesmo uma esposa para fazer as vezes, é sempre mais fácil encarar o caos. Sozinho, não tem jeito, ou tu conserta essa caca ou ela fica ali te olhando, esperando uma atitude.

Coisinhas da vida! Mas se alguém me perguntar “tudo bem?”, vai ouvir um “tudo, e tu?”

– Talvez devessemos desligar a força.

– Não seja estúpida, desligar a força implicaria desativar os produtores de oxigênio, morreríamos em quatro horas e 23 minutos eu, e você em 3 horas e 7 minutos. E de nada adiantaria, ficaríamos à deriva no espaço, em um setor inabitado.

– Bom, temos os controles manuais…

– A sala de comando mecânico está infectada pela doença, e mais, o computador não permitiria ser desligado.

– Não entendo porque isso tudo aconteceu. Vai contra todas as regras da exploração espacial mandar uma expedição tripulada para um local não registrado sem que todas as análises ambientais tenham sido realizadas. Remover os capacetes do uniforme nessas condições é ainda mais absurdo. O que deu no capitão para decidir isso? O que fez os demais seguir o exemplo sem questionar algo tão básico? E o que nos fez permitir que retornassem a espaçonave com a possibilidade de contaminação?

– Não tenho dados suficientes para formular respostas lógicas para suas perguntas, mas há uma hipótese. Podemos estar sob controle psiquico da entidade alienígena localizada nesse satélite. Na realidade, não sei mesmo porque formulei essa hipótese, já que não tenho quaisquer dados para corroborá-la, nem mesmo sabemos se a entidade é inteligente.

– E agora somos os únicos sobreviventes em uma nave à deriva, com a tripulação tomada por uma doença que os deixa irracionais e sedentos por sangue, e um supercomputador que adquiriu consciência e tenta nos eliminar. Aliás não entendo porque ele simplesmente não desliga os produtores de oxigênio.

– Nada faz sentido…

– Oh! estou com tesão. Por favor, me possua! Quero sentir sua pica enorme me penetrando!

– Oh sim! tire seu uniforme protetor, sempre quis te enrabar, sua puta!

– Oh seu pau é enorme! Oh! está me rasgando por dentro! Oh! porque estamos fazendo isso? Eu nunca quis dar para você! E porque estou falando dessa forma ridícula? Oh sim, não pare!

– Oh, você é uma puta tão apertadinha! Não faço a menor idéia de como isso está acontecendo! Sou um ciborgue, minha programação exclui esses impulsos animais típicos dos humanóides, não há lógica nisso tudo. Oh seu rabo é divino!

– Oh mete fundo! Não pare! Tudo isso que está acontecendo conosco, todos esses clichês, que falamos e toda essa situação, tudo parece extraído de um daqueles livros de ficção científica da antiguidade na terra. Toda a falta de sentido. Oh! Que gostoso!

– Sim, vadia! Você gosta de dar o rabo não? Parece que somos personagens de uma história, idealizada por um escritor medíocre e pervertido, cheia de clichês, pontas soltas e absurdos, totalmente inverossímil. Você lembra de algo de sua vida antes disso tudo acontecer? eu não!

– Eu adoro! Isso, não pare! Oh! Eu também não! A coisa toda é muito ridícula. Até mesmo o fato de termos consciência do absurdo em que estamos envolvidos e toda essa falta de sequência, é…  bem, um recurso metalinguístico tão batido. Deve haver zilhões de histórias utilizando isso e…

– Oh meu deus! eu vou gozar!! Oh você é tão maravilhosa! estou quase lá!!

– Oh sim! Eu também! Sinto que vai ser o maior orgasmo que já tive! Oh sim!

– Gozaremos juntos meu amor!! Em sinal de protesto contra toda essa mediocridade narrativa!

– Oh sim! Vai ser maravilhoso! Estou chegando!! Estou cheg…

FIM

HEHEHE.

Sacaneei eles!!

Não lembro se já disse isso aqui, mas adoro mudanças. A estabilidade me deixa um pouco cabreiro. E sou funcionário público, vai entender…

Depois de 3 anos morando sozinho e me autogerindo (muito mal, por sinal), estou dividindo apê com duas amigas, duas das pessoas que eu mais gosto nesse bueiro que chamamos de mundo, a Ana e a Paula. Resolvi aceitar o convite por que convivi com elas e julgo, pela forma que elas vivem, que podemos dar certo, nossas bagunças e manias são plenamente compatíveis e sabemos respeitar o espaço um do outro (confio mesmo que daqui há uns meses não estarei aqui me queixando do nosso sistema).

Não faço a menor idéia se vou comandar minha vida de forma mais responsável, mas pelo menos vou economizar mais de 50% do que eu gastava com as contas básicas (aluguel, condomínio, luz, telefone e internet) e isso significa, antes de tudo, um ponto de partida mensal melhor.

Mas não é de futuro que quero falar, é de passado. há poucas horas passei na frente do velho JK. Ainda tem coisas minhas lá, estou levando aos poucos. Olhei pela janela, e vi, o interior iluminado (sim, esqueci a luz acesa e a janela aberta) e percebi que essa era uma das últimas vezes que veria, ainda do meu jeito, o primeiro lugar em que morei sozinho. O lugar onde eu mais aprendi sobre mim, sobre meus medos e fraquezas e também sobre minhas alegrias e forças. Dificilmente morar sozinho de novo vai ser algo tão interessante quanto foi no jk.

Não fiz metade do que eu queria ter feito com ele, não deixei ele com a minha cara, embora sim, ele parecesse comigo em muitos aspectos, mas fui transformado por ele e pelas experiências que me proporcionou. Nele eu amei e me decepcionei, fui amado e esnobei, fui superficial, fui profundo, testei meus limites, tanto em energia de buscar por metas, quanto em apatia. Só as paredes dele souberam, só elas, mais ninguém.

Soube o que era solidão de verdade. Me assustei e me acostumei, aprendi a lidar com ela e, principalmente, aprendi a ser feliz com a minha própria companhia. Me diverti e me entediei. Fiz o melhor e o pior sexo. Vivi intensamente.

E agora que passo na frente dele vejo que pode ser uma das últimas vezes que verei assim um lugar tão importante, sinto saudades já. O jk que me ensinou que a vida não é aquela coisa certa, que você vai lá, faz, e sempre vai ter apoio para as consequências, mas sim um campo aberto e escuro, cheio de armadilhas, onde se anda sozinho, sem se saber para onde ir, mas que em compensação, está cheia de boas surpresinhas, reservadas para os mais audazes.

São as últimas vezes que vejo esse lugar!! Não há como esquecer o jk e o que ele me ensinou. Aliás, a única coisa que nunca fiz no jk foi cozinhar. Eu nem tinha fogão! Bom, talvez essa seja uma das coisas que minha nova casa me ensine né?

Não darei adeus ao jk e a tudo que ele representa, levarei para sempre comigo… mesmo assim, sentirei saudades…

Liberdade?

Uma das piores merdas na vida é que, antes mesmo que tu possa dizer pra ela que tu não quer o que ela quer pra ti, ela já te engoliu, mastigou e cuspiu, e tu já tá um bagaço, imprestável.
Não, ela não te espera meu chapa, ela toca por cima!
Eu rio muito das pessoas que dizem ter o controle de suas vidas. Elas simplesmente não discordam do caminho que a filha da puta escolheu pra elas.
Simples assim, existem duas estradas predefinidas, eu escolho a da direita e, nossa, como sou independente! Não arrisco pular a cerca de arame farpado e ir pelo meio do mato. vou pela estradinha segura e previsível que muitos já trilharam.Mas foi MINHA escolha!
Quanta arrogância. É preciso adimitir, somos todos uns fodidos sem qualquer mapa ou bússola pra nos orientar sobre o futuro. Temos tanto medo do que pode existir em um caminho novo que não saímos do velho.
Nos tornamos médicos, advogados, padres e auxiliares administrativos em hospitais do SUS, mesmo que isso não corresponda nem a 0,0001% de nossas verdadeiras expectativas quanto à vida. E pra não admitirmos o quanto somos CAGÕES, celebramos a aprovação em um concurso público como uma vitória pessoal. Nos formamos em alguma faculdade que nos limita a visão sobre o mundo e nos tornamos a profissão que exercemos, temos orgulho disso. Sou o Dr. Fulano de Tal. Se me chamam pelo primeiro nome, fico ofendido por não estar precedido do título, aliás, podia mesmo ser somente o título. Me massifico em um estereótipo profissional qualquer. Me identifico com um código de costumes, com os instrumentos e idumentária do meu trabalho.
O que eu queria mesmo? Queria estar surfando na austrália, fumando charutos em cuba, queria ser ator, ter uma banda de rock, pintar quadros, tirar fotos, escrever um livro, fazer um filme, abrir um posto de gasolina no texas, ou uma sorveteria no alaska. Queria proteger as pessoas dos malfeitores, ser um tira durão, ou um detetive sacana e esperto. Mas essas coisas são tão infantis, são tãããããão românticas. Não cabem na vida adulta.
Porra, não posso me entregar assim a fantasias infantis. Vou fazer algo extremamente oposto ao que quero, por que meus pais fizeram, por que é um dos pilares da civilização, por que deus quer, por que dá dinheiro. Foda-se minhas necessidades, foda-se o fato de que vou passar bem mais da metade dessa existência de merda sendo fodido no rabo por não estar fazendo o que quero, por não estar pensando e vivendo por mim mesmo, indo pra onde eu quero ir.
Caralho, isso é escolha? É escolha fazer tudo como está num manual fodido, cagado por terceiros? É ter o controle sobre a própria vida dormir e acordar cedo todos os dias? Usar quase metade do dia fazendo coisas que subutilizam tua capacidade e mesmo assim te tomam toda a energia? Estar dormindo ou anestesiado pelo cansaço e pela frustração na outra metade do dia? É isso que escolhemos? Essa é a nossa grande liberdade?
Então faz o seguinte, pega essa liberdade toda, esse poder de decisão, enrola bem direitinho, passa um óleozinho e enfia NO CU!!!!!!!